quinta-feira, 18 de junho de 2009

O tal do Diploma para exercer Jornalismo

E caiu a OBRIGATORIEDADE PARA EXERCER a profissão de Jornalista. Com argumentos pífios, tal como: diploma cerceia a liberdade de expressão, não há perigo de dano à coletividade como na medicina ou engenharia... do site do Estadão:
Para o órgão, o decreto-lei que determinava a obrigatoriedade do diploma fere a liberdade do exercício de qualquer profissão e a liberdade de expressão, asseguradas na Constituição de 1988, e vai contra a Convenção Americana dos Direitos Humanos, ao impedir o livre acesso à informação.
...os ministros do Supremo Tribunal Federal votaram oito, contra, a um, a favor, sobre a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo. Votaram contra: Gilmar Mendes, presidente do tribunal e relator do caso; ministras Carmen Lucia e Ellen Gracie; ministros Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Cezar Peluso e Celso Mello. O voto solitário e de honra a favor foi do ministro Marco Aurélio Mello. Outro Ângulo entende que a internet é o melhor lugar para a liberdade de expressão. Com diploma ou sem ele, o jornalista ou jornaleiro - sei lá nós como ficará - não poderia escrever a esmo ou ao belprazer, não?!


Pronto. A princípio decisão sem volta. Mas com teses mais toscas que essas, a defesa por meio das entidades de representação de classe, não tinha como sensibilizar a ministrada. Qualificação técnica, ética, demissões, redução salarial...? Ok. Comecemos pelo salário. Depende da competência e da empresa, num primeiro momento. Demissões. Como disse o Tiago Jucá, da revista O Dilúvio: "Se tu tem medo de perder o emprego para algum analfabeto, então vai plantar batatas".

Ética? Por favor. Caráter e ética não se aprendem em banco de colégio e faculdade. Vem de casa, de berço. Qualificação técnica? Qualquer pessoa que queira mudar o mundo, tenha um mínimo de curiosidade e não seja analfabeto funcional pode jogar no Google a palavra LEAD e saberá tooooda a técnica que editores querem num texto. Tá. Isso a grosso modo. Um verdadeiro jornalista precisa ler muito e aquela coisa toda que todo mundo diz que faz e talz mas ninguém tem certeza de que todo mundo realmente faz. hahaha

ENSINO BÁSICO E DO JORNALISMO

A obrigatoriedade foi imposta por um decreto-lei de 1969, época em que o País era governado pela Ditadura Militar. O professor da Fabico e jornalista censurado por RB$ Wladymir Ungaretti sempre foi defensor da volta do jornalismo à área das humanas, junto da História e Ciências Sociais. Desde os anos 80, a formação em Jornalismo passou a ser uma habilitação da Comunicação Social. De alguma forma, o atual ensino decadente de jornalismo se deve ao tecnicismo adotado nos currículos das universidades, totalmente voltados ao mercado e não a sociedade.

Fato é que o buraco é mais embaixo. O ensino básico e médio já poderia colocar bons e críticos repórteres na rua. Bem como advogados. Pois entender muito bem o que nossos jornais dizem e de que lado estão é uma forma de cidadania. Saber dos seus direitos também. Quem sai do terceiro ano se sente cidadão? Pergunte isso a algum aluno recém saído do ensino médio. É um bom momento para os verdadeiros formadores de opinião vomitarem suas ideias e mobilizar muito mais do que uma simples reforma para reaceitarem o canudo.

MAIS, ABAiXO

Jornalismo B [Aqui]

Dicas de um Fuçador[Aqui]

videVERSUS[Aqui]

O Dilúvio[Aqui]

Tulio Vianna[Aqui]

Dossiê Alex Primo[Aqui]

UPDATE 24/06 - 02h57min
Observatório da Imprensa [Aqui]

Um comentário:

thiagoks disse...

cara, concordo contigo em gênero, número e "degrau".

se o Ensino Médio "ensinasse" mesmo, faculdade de Jornalismo seria piada (e de Direito também, por que não?).

e eras isso.
saudações!!